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Estudo indica que universidades do PR devolvem R$ 4 para cada R$ 1 investido

21/05/19
sri_adm

Estudo indica que universidades do PR devolvem R$ 4 para cada R$ 1 investido

O investimento de R$ 1 nas IES (instituições de ensino superior) reflete em R$ 4 de retorno para a comunidade na qual estão inseridas. O número está em um levantamento feito em 2016 com a participação de especialistas de todo o Paraná e compiladas no livro “As Universidades Estaduais e o Desenvolvimento do Paraná”, organizado pela doutora em Economia da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) Augusta Pelinski Raiher.

A importância das universidades para o desenvolvimento socioeconômico das regiões em que estão inseridas volta aos holofotes num momento em que o governo federal corta 30% das verbas de custeio das instituições de ensino federais, além de bolsas de estudos de pesquisadores e projetos de aprimoramento da educação dos universitários.

À época, o reitor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Sérgio Carvalho, avisou que o arrocho orçamentário inviabilizaria o funcionamento da instituição após o mês de agosto. Tanto o governo federal quanto o estadual classificam as medidas como “contingenciamento”.

A obra compilada por Augusta Raiher indica que, mesmo no curto prazo (sem novos investimentos),  o ensino superior traz benefícios para a região. “O incentivo dado à educação pública induz a produção, emprego e renda, promovendo o crescimento econômico. Compras de materiais, serviços contratados, realizados localmente, e renda dos servidores significam injeção dinheiro no mercado. Ter uma universidade significa movimentar a economia”, ressalta Pelinski. “Quando comparada a outros setores da economia, a educação pública mostrou-se um setor chave no que se refere ao salário médio, ao multiplicador de produção e à geração de postos de trabalho”, complementa.

Fátima Aparecida da Cruz Padoan, presidente da Apiesp (Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público), afirma que as universidades estaduais do Paraná são protagonistas no desenvolvimento econômico do Estado, pois sensibilizam para ações inovadoras, influenciando o ambiente empresarial. No setor industrial, a pesquisa aponta que quanto maior o investimento realizado nas universidades estaduais, maior tende a ser a especialização produtiva das indústrias localizadas nestas cidades e regiões.

Mão de obra de alto nível

Sérgio Carvalho, que também é economista, ressalta que o impacto trazido pelas instituições de ensino superior públicas, tomando como base a que comanda. Além do efeito multiplicador dos investimentos feitos nestas instituições, ele evidencia que aproximadamente sete de cada dez alunos da UEL são de Londrina e região. “Isso tem um impacto bastante positivo para os jovens paranaenses para obterem melhores empregos, porque terão formação de altíssima qualidade e essa qualidade será colocada a serviço da população”, explica.

Dos cerca de 30% dos alunos que vêm de outros Estados, boa parte permanece em Londrina, resultando em uma migração qualificada. “É diferente de uma empresa que exige trabalhadores de pouca qualificação. A universidade, por si só, já exige técnicos e professores qualificados, que formam mais profissionais de alta qualificação, criando um círculo virtuoso”, diz. Ainda de acordo com ele, o Paraná é o Estado com mais doutores fora da capital, devido aos campi das sete universidades espalhados pelo interior.

Para Carvalho, a UEL já cumpre seu primeiro papel, como grande qualificadora de mão de obra. Por outro lado, há outra demanda, que é viabilizar que o conhecimento produzido chegue à população e defende medidas fomentadas por políticas públicas. “Somente com uma política forte do Estado é possível dar o salto de conhecimento produzido para um produto que pode chegar a todos”, diz. Ainda de acordo com ele, o setor público é crucial no desenvolvimento das pesquisas porque é a parte mais arriscada da produção, porque pode não dar o resultado esperado. “mas, uma vez chegando ao produto que pode virar inovação, o resultado é imenso”, diz.

Proposta paranaense

Nesta semana, o governador Ratinho Junior (PSD) afirmou que administração das instituições estaduais de ensino superior será objeto de uma legislação específica. De acordo com ele, está em elaboração a Lei de Eficiência em Gestão Universitária (Legu), que deve ser finalizada até a metade do ano.

Segundo a Agência Estadual de Notícias, a construção de um novo modelo administrativo das instituições, com regras de meritocracia, deve contar com a participação da direção das universidades antes de ser encaminhada para a Assembleia Legislativa. “É uma discussão técnico-administrativa, e não apenas financeira”, afirma o governador.

Fonte: Folha de Londrina