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Foprop discute impactos nas universidades

19/09/19
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Foprop discute impactos nas universidades

Algumas semanas atrás, entre os dias 05 e 06, foi realizado em Caxias do Sul – RS, o Foprop Sul – Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação da Região Sul. Essa reunião, realizada anualmente, reúne os pró-reitores de pesquisa e pós-graduação da região Sul do País, e na ocasião, o pró-reitor da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), professor Dr. Reginaldo Ferreira dos Santos, estava presente. Nesse encontro, a principal pauta foi o corte de bolsas de pesquisa.

Após o anúncio dos cortes, o corpo do Foprop Sul divulgou uma carta sobre a temática. Em nota, afirmam que “vem a público alertar a sociedade brasileira acerca dos impactos profundamente negativos que o recolhimento total de 11.811 bolsas de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado, representando cerca de 12% do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), trará ao desenvolvimento local, regional e nacional.”

A Unioeste conta com 1366 alunos de especialização, 54 bolsas de produtividade do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), 599 de pós-graduação (mestrado, doutorado, pós-doutorado e residência), 3181 projetos de pesquisa, e muito mais. (Descriminados na imagem a seguir)

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Unioeste, professor Reginaldo ressalta o período difícil no qual o país se encontra, e que uma das melhores formas de remediar os problemas atuais, seria investindo na educação e pesquisa, que pode trazer resultados positivos para o Brasil. “Não queremos guerra com o Governo Federal e com as instituições de fomento, queremos unir forças. Nesse momento é primordial o apoio para que o país se desenvolva. Todo país que cresceu passou pela aplicação de recursos na área de educação e na área de pesquisa, então tirar o dinheiro da pesquisa, é tirar o remédio do paciente, e nesse momento, é arriscar a saúde do paciente”.

A Capes anunciou que 5.613 bolsas de mestrado e doutorado que já foram finalizadas, não serão repassadas para outros alunos. Com isso, R$ 37,8 milhões deixarão de ser investidos em pesquisa. A justificativa foi a contenção de gastos.

Em outra ponta, o CNPq informou que tem déficit de mais de R$ 300 milhões para garantir o pagamento de cerca de 80 mil bolsas no país. Recentemente, o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, remanejou R$ 82 milhões no orçamento para garantir o pagamento referente ao mês de setembro, mas faltariam outros R$ 250 milhões para fechar o ano. A Câmara dos Deputados pede a liberação de recursos recuperados pela operação Lava-Jato. Outra alternativa é o Ministério da Economia autorizar a ampliação do limite orçamentário do CNPq.

“Outro ponto importante é que todo bolsista é um profissional. Os de mestrado e doutorado são pessoas que já se formaram e agora estão dedicando parte de suas vidas para o desenvolvimento, não só pessoal, mas também do país, da pesquisa, da inovação, a procura de soluções para que o nosso país possa se diferenciar em relação aos demais. E nesse momento a bolsa é sua única fonte de renda, os pesquisadores recebem um mínimo valor (R$ 1500 para pesquisadores de mestrado e R$2200 para pesquisadores de doutorado). Isso porque acreditam em seu desenvolvimento pessoal, que vai crescer, ele poderá contribuir mais ainda e porque acredita que possa ajudar o país, a contribuição que sua pesquisa e trabalho, sua dedicação de vida pode contribuir com sua nação”, esclarece professor Reginaldo.

Na carta de Caxias do Sul, é retratado “tão grave e prejudicial é o impacto social e econômico nas regiões onde estão inseridas as universidades afetadas pela perda das bolsas. As bolsas recolhidas significam também a perda de ocupação e renda de pesquisadores e o aumento da taxa de desemprego, com a consequente diminuição de recursos financeiros que movimentam diariamente as economias locais de bens e serviços”.

“Um pesquisador sempre dá o máximo que ele tem, ele trabalha em casa, na universidade. Passa por um período difícil, onde por muitas vezes os casamentos são desfeitos, pessoas adoecem, tudo isso por se dedicarem muito mais que as 40 horas previstas nas bolsas de pesquisa. Então, nesse momento, tirar a bolsa de pesquisa, na verdade estamos tirando o trabalho, o sonho, e os poucos recursos que essas pessoas teriam para contribuir para o país em termos de conhecimento”, conclui o pró-reitor Reginaldo.

Texto: Amanda Alves
Foto: Divulgação
Fonte:
  Central de Notícias Unioeste – CNU