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Mais de 45% das donas de negócios no Brasil se tornaram “chefes de domicílio”

11/03/19
sri_adm

Mais de 45% das donas de negócios no Brasil se tornaram “chefes de domicílio”

Nos últimos dois anos, a proporção de mulheres empreendedoras que são “chefes de domicílio” passou de 38% para 45%. Com o avanço, a atividade empreendedora passou a conferir às donas de negócio a principal posição em casa, superando o percentual de mulheres na condição de cônjuge (situação verificada quando a principal renda familiar provém do marido). Esta posição caiu de 49% para 41% nos últimos anos, conforme constatou o relatório especial produzido pelo Sebrae. O estudo constatou ainda que as representantes do sexo feminino empreendem movidas, principalmente, pela necessidade de ter uma outra fonte de renda ou para adquirir a independência financeira. Hoje, as 9,3 milhões de mulheres que estão à frente de um negócio representam 34% de todos os donos de negócios formais ou informais no Brasil.

As análises feitas pelo Sebrae mostram que as mulheres empreendedoras são mais jovens e têm um nível de escolaridade 16% superior ao dos homens. Entretanto, elas continuam ganhando 22% menos que os empresários, uma situação que vem se repetindo desde 2015, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2018, os donos de negócio do sexo masculino tiveram um rendimento mensal médio de R$ 2.344, enquanto que o rendimento das mulheres ficou em R$ 1.831.

“O empreendedorismo representa uma importante alavanca para o empoderamento feminino, abrindo oportunidade para mulheres que viviam em situação de vulnerabilidade ou até de violência doméstica. Nosso trabalho agora é fortalecer as habilidades comportamentais das empreendedoras para garantir confiança e reduzir as desigualdades”, analisa o presidente do Sebrae, João Henrique de Almeida Sousa.

A desvantagem para as empresárias também é significativa quando se trata de acesso a crédito e linhas de financiamento. As mulheres empresárias acessam um valor médio de empréstimos de aproximadamente R$ 13 mil a menos que a média liberada aos homens. Apesar disso, elas pagam taxas de juros 3,5 pontos percentuais acima do sexo masculino.  Nesse aspecto, nem os índices de inadimplência mais baixos, verificados entre as pagadoras do sexo feminino, foram suficientes para gerar uma redução dos juros. Enquanto 3,7% das mulheres são inadimplentes, os homens apresentam um indicador de 4,2%.

A coordenadora estadual do Programa Mulher de Negócios, do Sebrae/PR, Letícia Albuquerque, comenta que as dificuldades em relação ao crédito, de modo geral, devem-se a diversos fatores, entre eles alguns que podem ser trabalhados pelas próprias empreendedoras. “Há um processo de falta de informações quanto às linhas de crédito. Diferente dos homens, que têm o hábito de recorrer a crédito há mais tempo, as mulheres, por se sentirem seguras, acabam optando por instituições financeiras onde já têm relacionamento e deixam de pesquisar melhor o mercado”, analisa.

Letícia destaca que para potencializar o empreendedorismo entre mulheres, que já ocupam lugar de destaque no mercado, o Sebrae/PR trabalhará, este ano, com o projeto Sebrae Mulher de Negócios. A iniciativa será uma das frentes de atuação da entidade para auxiliar as mulheres a trabalharem questões comportamentais e técnicas, desenvolvendo novas habilidades práticas de gestão, a fim de reposicionarem seus negócios.

O relatório elaborado pelo Sebrae aponta que as mulheres empreendedoras representam hoje 48% dos Microempreendedores Individuais (MEI), atuando principalmente em atividades de beleza, moda e alimentação. Quanto ao local de funcionamento do negócio, 55,4% das MEI estão sediadas em casa.

Principais dados das mulheres empreendedoras:

Fonte: Agência Sebrae