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Prevenção: Unioeste desenvolve software para controle de epidemias

16/06/20
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Prevenção: Unioeste desenvolve software para controle de epidemias

Em tempos de combate à dengue e outras doenças virais, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), por meio do curso de Ciência da Computação, Campus de Cascavel, desenvolveu um programa para facilitar gestão de informações sobre essas doenças junto aos órgãos de saúde pública responsáveis. O software chama-se “AEDES: gestão de ações de prevenção, controle e combate à dengue, chikungunya e zika” já está ativo. A transmissão acontece quando a pessoa é picada pelos agentes transmissores, o Aedes Aegypti (dengue), Chikungunya e Zika (Aedes albopictus), mosquitos urbanos.

Resultado de pesquisa, o programa foi desenvolvido por três professores, alunos de Iniciação Científica, extensão e estagiários, além de integrantes do controle de endemias, vinculado à prefeitura municipal de Cascavel. O software é compatível ao Sistema Operacional Android, para dispositivos móveis, celulares e tablets.

O programa, que iniciou como um projeto de pesquisa, atualmente colabora na gestão de ações relacionadas ao enfrentamento de problemas decorrentes da expansão dos vírus causadores da transmissão dessas doenças. Além de rastrear, o software viabiliza o registro e acompanhamento de indivíduos infectados. O Software SIGAEDES (originalmente era denominado SIGDENGUE) possibilita aplicativos para dispositivos móveis de apoio ao trabalho realizado em campo por agentes de endemias. Contribuição na qualidade de vida dos cidadãos de Cascavel.

A coordenadora do trabalho, professora doutora Claudia Rizzi , elucida que objetivo do projeto é oferecer soluções efetivas à identificação de infestação, controle e combate vetorial de Aedes Aegypti e Aedes Albopictus.

De acordo com recente Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel, referente ao período de julho de 2019 até 28 de abril, o município chegou, no período, ao total de 2.995 casos registrados da doença.

Como toda infecção, pode levar ao desenvolvimento de encefalite e outras complicações neurológicas. Mais informações do projeto e sobre as doenças podem ser obtidas nos sites www.inf.unioeste.br/~aedes/index.htmlwww.seer.unirio.br/index.php/isys/article/view/5282.

Em Cascavel, informações sobre a doença podem ser obtidas também pelo call center 45 30969090.

Os números

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima-se que 390 milhões de pessoas se infectem anualmente, das quais 96 milhões se manifestam clinicamente (com qualquer gravidade da doença). Estima-se que cerca de 3,9 bilhões de pessoas, em 128 países, estão em risco de infecção por vírus da dengue.
Dengue é uma doença febril grave causada por um arbovírus. Arbovírus são vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente os mosquitos. Existem quatro tipos de vírus de dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os 4 sorotipos da doença, mas a infecção por um sorotipo gera imunidade permanente para ele.

O transmissor (vetor) da dengue é o mosquito Aedes Aegypti, que precisa de água parada para se proliferar. O período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região, mas é importante manter a higiene e evitar água parada todos os dias, porque os ovos do mosquito podem sobreviver por um ano até encontrar as melhores condições para se desenvolver.

Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis, porém as pessoas mais velhas têm maior risco de desenvolver dengue grave e outras complicações que podem levar à morte. O risco de gravidade e morte aumenta quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, mesmo tratada.

A pessoa infectada começa a apresentar os seguintes sintomas: febre alta – 38.5ºC; dores musculares intensas; dor ao movimentar os olhos; mal estar, falta de apetite; dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo. A infecção por dengue também pode ser assintomática (sem sintomas), leve ou grave.

Em casos mais graves, a dengue pode levar a morte. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele.

A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A dengue, na maioria dos casos, tem cura espontânea depois de 10 dias. A principal complicação é o choque hemorrágico, que é quando se perde cerca de 1 litro de sangue, o que faz com que o coração perca capacidade de bombear o sangue necessário para todo o corpo, levando a problemas graves em vários órgãos e colocando a vida da pessoa em risco.

O percurso do vírus

Após picar uma pessoa infectada com um dos quatro sorotipos do vírus, a fêmea pode transmitir o vírus para outras pessoas. Há registro de transmissão por transfusão sanguínea.

Não há transmissão da mulher grávida para o feto, mas a infecção por dengue pode levar a mãe a abortar ou ter um parto prematuro, além da gestante estar mais exposta para desenvolver o quadro grave da doença, que pode levar à morte. O combate é feito por meio limpeza adequada e não deixando água parada em pneus, vasos de plantas, garrafas, pneus ou outros recipientes que possam servir de reprodução do mosquito Aedes Aegypti.

Em populações vulneráveis, como crianças e idosos com mais de 65 anos, o vírus da dengue pode interagir com doenças pré-existentes e levar ao quadro grave ou gerar maiores complicações nas condições clínicas de saúde da pessoa.

O diagnóstico da dengue é clínico e feito por um médico. É confirmado com exames laboratoriais de sorologia, de biologia molecular e de isolamento viral, ou confirmado com teste rápido (usado para triagem).

A sorologia é feita pela técnica MAC ELISA, por PCR, isolamento viral e teste rápido. Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de confirmação da doença, a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas.

Quem está infectado deve fazer repouso; ingerir bastante líquido (água); não tomar medicamentos por conta própria; a hidratação pode ser por via oral (ingestão de líquidos pela boca) ou por via intravenosa (com uso de soro, por exemplo, além disso, o tratamento é feito de forma sintomática, sempre de acordo com avaliação do profissional de saúde, conforme cada caso).

Quem coordena o trabalho

Claudia Rizzi possui graduação em Processamento de Dados pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1988), mestrado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), doutorado em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006) e pós-doutorado em Computação Científica pela Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro (2017).

Atualmente é professora associada da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Tem experiência na área de Ciência da Computação, desenvolvimento tecnológico, com ênfase em Sistemas de Informação e Inteligência Artificial, atuando principalmente nos seguintes temas: epidemiologia computacional, desenvolvimento de sistemas de informação e informática na educação.
Fonte: Unioeste